História – Luiz Levy

luizlevyLuíz Levy teve a sua formação marcada pelo ambiente de comércio de artigos musicais de seu pai e tornar-se-ia êle próprio prototipo do homem de negócios, empreendedor, capaz de criar êle próprio produtos e incentivar a procura. Os seus elos com a Europa, sobretudo com a França, derivados da origem familiar, foram intensificados através de seus estudos em São Paulo e em viagens à Europa.  Estudou piano com o Gabriel Giraudon, professor francês chegado a São Paulo em 1860. Visitou a Exposição Universal de Paris, em 1878, na companhia de sua mãe, ocasião em que se apresentou como pianista na Sala Erard. A família mantinha contactos com a Argentina, onde atuava o seu tio Sylvano Levy (+1925), professor do Conservatório Thibaut-Piazzini de Buenos Aires, também compositor. Apresentou-se, juntamente com o seu irmão Alexandre, no Club Unión Argentina. Alcançou mais tarde, com a sua Valse des Roses o primeiro prêmio de concurso Valsa Boston Francalanci efetuado em Buenos Aires.

Uma particular menção merece o interesse de Luís Henrique pela filatelia. Aqui tinha a oportunidade de aprofundar os seus conhecimentos culturais relativos às diversas nações, os seus contactos internacionais e com internacionalistas, unindo-os com questões de impressão e editoração. Fundou, em 1882, o Brasil Filatélico. Na Bélgica, com o nome de Louis Levy, publicou uma mazurca de salão denominada Timbrée, dedicada ao editor e filatelista Jean Baptiste Philippe Constant Moens (1833-1908), por ocasião de comemorações do Journal le Timbre Poste (1863-1887).

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Participou ativamente do processo de difusão de novo repertório para música de câmara e sinfônica em São Paulo. Particularmente significativo sob o aspecto da cultura judaica de sua família pode ser visto a apresentação de obras de Felix Mendelssohn-Bartholdy (1809-1847) em São Paulo, entre outros o o Trio I em Ré menor op. 49, em 1885, e, em 1886, como solista, o Concerto em sol menor opus 25, este com a presença da família imperial.

Em 1896, compôs uma marcha fúnebre pela morte de Antonio Carlos Gomes (1836-1896), executada em missas do sétimo dia pela alma do compositor, no Rio de Janeiro e em São Paulo. Em homenagem póstuma a seu pai, dedicou-lhe a Gavota n° 5, op. 24 (Suplemento musical de Renascença, Ed. E. Bevilacqua).

Várias das composições de Luís Levy manifestam os seus estreitos elos com a cultura francesa, sendo o francês idioma praticado regularmente no âmbito de sua família e as suas obras em geral impressas em Bruxelas (Parfum parisien; Pleureuse; Mystère; Poudré, opus 23; Pourquoi partir?; Rêveuse, entre outras), Significaticamente, compôs uma valsa lenta como souvenir da Côte d’Azur de título Mimosa (6e. Valse Lente, dedicada a seu irmão Maurício).panfletotromunic07061931

Escreveu obras compostas para datas nacionais e de atualidade (Hino ao Quinze de Novembro, 1905; Voluntários da Pátria). Foi autor de várias valsas (por ex. Valsa Brilhante em Mi b op. 30; várias valsas lentas, tais como Humoresque op. 25), gavotas, mazurcas, romances (Madrigal op. 21), tangos (Tango Burlesco op. 26) habaneras (por ex. Tango em Ré, a Exequiel Ramos), outras peças para piano (por ex. Minuete-Improviso, dedicado a Alice Serva; Diálogo, romance sem palavras op. 26, dedicado a Sylvano Levy; Barcarola op. 10, em lembrança a um passeio de barco pelo rio Tietê). Criou também rapsódias com temas brasileiros (Primeira Rapsódia Brasileira op. 17, dedicada a Leopoldo Miguez; Segunda Rapsódia Brasileira, dedicada a Guiomar Novais). Algumas de suas obras foram adotadas oficialmente nos programas do Instituto Nacional de Música e do Conservatório Dramatico e Musical de São Paulo (Tango Grotesco op. 33, oferecido a J. Souza Lima; 4a. Valsa Lenta op. 32, oferecida a Vitória Serva Pimenta, publicada com revisão de J. Souza Lima pela Editora Vitale, São Paulo).

A partir de 1891, passou a gerenciar os negócios da Casa Levy. Como homem de negócios, realizou arranjos de peças estrangeiras para orquestras de salão.

“Luis era uma pessoa interessantíssima. Por vezes os arranjos eram pedidos, como por exemplo, certas orquestras de salão precisavam de músicas diferentes. Bem, ele atendia sempre, e aqui está: Honeymoon chinês – delícias da lua de mel – valsa.

Havia novidades dansantes de grande sucesso, como Adalgisa de V. Marsicano, Seduction, de Billi, Sorrisi e Baci, de Barbirolti, e Viúva Alegre de Lehar – músicas estas com arranjos de todos os tipos e gostos.

Luis escreveu, ainda Silver Dreams, que foi grande sucesso da Orquestra Tzigane do Automóvel Club”. (op.cit. 19)

Sob o nome de Ziul Y Vel publicou várias peças de cunho popular, entre elas: Gostosa (Schottisch); Captivaram-me os teus olhos (Polka, resposta a Teus Olhos Captivam, de E. Nazareth); Vicilino (Polka, resposta a Beija-Flor, de E. Nazareth); Natalina (Schottisch); Santos-Dumond (Marcha), Brigada (Marcha), Caboclo (Cake Walk), Sentimental (Tango), Pas de Quatre; Setenta y Cinco (Tango Argentino); No Morro do Cha (Polka-Maxixe); Para a Frente (Marcha); Marcha dos Alliados. Sob o nome de Yvu Leliz, publicou canções sertanejas com textos de Jose Eloy: Os Bezerro qué mamá; As Gallinha tão no chôco; Geca Tatú; Coruquerê; De Astromóve; A Frôrada.

O significado de Luis Levy para as relações entre o comércio musical e o desenvolvimento de uma música de cunho comercial, em geral para o estudo das relações entre economia e música no Brasil foi reconhecido simbolicamente com a escolha de uma de suas composições instrumentais para o repertório coral das alunas da Escola de Comércio, em arranjo de compositor amigo (Habanera op.31, com palavras de Augusto de Carvalho).

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